Hoje eu acordei sentindo aquele maldito nó na garganta e nos pensamentos. Eu sabia que precisava escrever, mas não conseguia saber sobre o que e ficar olhando para o teto não estava me ajudando.
Por mais idiota que possa soar, acho que algo estava a meu favor – ou muito contra -. Quando venci a preguiça e fui pegar o bloco de notas alguém no apartamento de cima resolveu que era agradável ouvir música alta as 7 da manhã, mas o problema é que não era qualquer música. Era AQUELA música.
Aquela que eu me prometi nunca mais ouvir. Aquela onde cada palavra, cada estrofe, me fazia lembrar você.
Acho que já estava certo sobre o que eu iria escrever. Mais uma vez eu me rendi a escrever sobre você. A questão era, como?
Eu já me rendi a colocar um pouco de você em tantas palavras soltas por ai... Sobre você, sobre o seu sorriso, seus olhos, sobre o que você me fazia – sim, fazia. Eu prometi nunca mais usar no presente algo que se referisse a você – sentir.
Sobre o que eu falaria agora? Do modo como eu venho me enchendo de promessas para não lembrar de você, para não procurar algo teu em cada garoto que passa por mim? Ou sobre como nada disso tem dado certo?
Também poderia falar sobre tudo que tenho tentado mudar em mim o que você dizia gostar, para quem sabe não lembrar tanto de você toda vez que olho meu reflexo no espelho.
Quem sabe eu escreva como me senti ao te ver abraçado com aquela garota naquele parque ou com aquela outra naquela balada no centro da cidade... Não foram as melhores sensações, mas prometi que não iria me importar.
Será que poderia falar sobre as músicas que parei de escutar por sua causa? Em especial essa que ainda está tocando e que me fez esquecer novamente a promessa de não ficar lembrando de você.
Eu sei que também poderia escrever novamente sobre os momentos em que você me fez sorrir, das borboletas que eu sentia no estomago – que eu insistia em dizer que era por causa de alguma coisa que eu tinha comido- toda vez que te via ou apenas ouvia a tua voz, mas estaria quebrando mais uma vez a promessa de não lembrar.
É idiota – assim como você – mas eu ainda lembro o cheiro do teu perfume e como eu adorava chegar em casa e senti-lo impregnado na minha roupa ou dos teus sorrisos – lindos- que conseguem derreter qualquer garota – e eu fui mais uma delas – lembro dos teus olhos...
Prometi não pensar, não lembrar, não ouvir, não escrever nada sobre você. Prometi não reler sms, históricos ou ver nossas antigas fotos.
Fiz tantas promessas para te esquecer que acabei me perdendo entre elas e do que adiantou? No final eu acabei me tornando uma grande mentirosa.
Não cumpri minhas promessas, pois novamente estou aqui, colocando você em cada palavra escrita.
A música acabou. Os sentimentos não.
Acho que parar de sentir deveria ser como ouvir música, quando cansamos de ouvir (sentir) apertamos um botão e puff todo sentimento é esquecido.
Acho que eu deveria prometer menos, mas ainda não arrumei outra forma de enganar a mim mesma, afinal, quem sabe mergulhando entre tantas promessas eu não acabe te esquecendo?






















